5.16.2006

DECLARAÇÃO

O que perdi não devolvem
Vou buscar com o revólver
O que ganhei não é posse
Sou um canal, tudo passa
O que falei não se apaga
A vida é uma palavra
O que matei não prestava
Fiz tudo por minha alma

O que senti eu te mostro
Nessa loucura sem trégua
O que sofri foi sem volta
Pois aprendi nos assaltos
O que chorei não se mede
O meu amor é tão vasto
O que procuro eu acho
Estou aberto a machado

(Nei Duclós)

* * *

Dessas coisas que sempre que eu leio (escuto), me causam um desconforto mesclado com excitação.
Será arte?


3 comentários:

Janaína disse...

eu havia dito que não conhecia essas linhas; aberto a machado é de uma beleza desconcertante. apesar de mostrar uma dor irremediável, há uma alegria, quase uma dança que honra a vida... bem teu jeito.

beijinho

Nei Duclós disse...

Esse poema, Declaração, foi publicado em 1980 no meu livro No meio da Rua. O segundo verso não tem o "mas" inicial. É simplesmente: "estou aberto a machado". Obrigado por postar esse poema, que foi musicado e gravado por Muts Weyrauch.

chacarera blues disse...

Nei,

Posto aqui, pois não sabia mais onde faze-lo, a resposta em agradecimento a visita ao meu blog e ao seu comentário sobre seu poema "Declaração" publicado lá por mim. Como você chegou no blog? Nossa, fiquei achando que era até um trote, o criador comentando a criatura no quintal da minha casa... Postei o poema movido por um sentimento de grande indignação provocado por uma violenta invasão ao meu espaço afetivo e emocional. Estava escutando o "Carecas da Jamaica" do Nei, o Lisboa, e pensei cá comigo: taí a resposta! Grande abraço porto-alegrense, e até a próxima.